Análise tática do esquema de Atzori

Com o passar da temporada, o novo treinador blucerchiato, Gianluca Atzori, vai encontrando o melhor modo de dispor a equipe em campo. Neste domingo, contra o Gubbio, ele começou o jogo com uma alteração que acredito ter feito diferença.

Uma base no 3-4-3 já vem sendo utilizada desde o primeiro jogo oficial, contra o Alessandria, na Coppa Italia. Porém, ele vem se mostrando, em minha opinião, ineficiente. Contra o Gubbio, a disposição tática inicial foi o 3-5-2 (ou 3-4-1-2), o que pode ter sido preponderante para a fácil vitória. Tentarei explicar meu ponto de vista.

Como Atzori gosta de jogar?

Nos dois jogos da Coppa e nos dois primeiros jogos na Serie Bwin, a base da escalação foi um 3-4-3. No meio campo, ele utiliza dois volantes e dois alas abertos. Nenhum meia de criação – trequartista. No ataque, dois atacantes de área e um aberto pela ponta esquerda.

Desta forma:

Imagem de Mário Gomide (www.mariogomide.com)

Imagem de Mário Gomide (www.mariogomide.com)

Onde está o erro?

Acredito que o erro está na ausência de um meia de criação. Com isso, um dos volantes (Palombo) se vê obrigado a avançar mais do que deveria. Os alas (Padalino e Castellini), apesar de terem qualidade ofensiva, não são capazes de fazer a ligação com o ataque por si só, precisando da ajuda do “volante-meia”.

Desta forma, o outro volante (Obiang) fica como o único a auxiliar a zaga e a cobrir a subida dos dois laterais. Talvez foi através disso que Alessandria, Empoli e Padova (este nem tanto) encontraram dois gols contra a zaga blucerchiata.

Palombo à frente, além de deixar Obiang vendido, não é o que o ataque, que já não é dos melhores, precisa para produzir mais. Tanto que nos três jogos citados no parágrafo anterior e ainda no jogo seguinte, contra o Livorno fora de casa, o ataque conseguiu fazer três gols no Alessandria, da quarta divisão, um no Empoli, que não foi o bastante, dois contra o Padova e nenhum contra o Livorno.

Como Atzori deveria jogar?

Contra o Gubbio, Atozri tinha à disposição dois trequartisti que haviam acabado de chegar – Bentivoglio e Foggia. Assim, ele abriu mão de um dos atacantes e colocou-o à frente da dupla de volantes, como trequartista.

Apenas o fato de ter um jogador preenchendo o espaço no meio já fez a diferença taticamente, mesmo se este não mostrou um talento individual que se destacasse. Sem Padalino, servindo sua seleção nacional, ele utilizou Semioli na ala direita e Bentivoglio na função de trequartista, ainda com Bertani e Pozzi no ataque.

Desenhei aquele que, para mim, é o esquema ideal para o time. Confira:

[o time que jogou contra o Gubbio teve a mesma formação, mas com Da Costa, Volta, Semioli e Bentivoglio, nos lugares de Romero, Gastaldello, Padalino e Foggia, respectivamente]

Imagem de Mário Gomide (www.mariogomide.com)

Imagem de Mário Gomide (www.mariogomide.com)

No segundo tempo, com dois jogadores a mais, ele voltou com o seu 3-4-3, mas com Semioli passando ao ataque pela ponta esquerda e Bentivoglio e Castellini fechando um quadrado no meio. É, talvez, uma forma mais aceitável para uma formação 3-4-3, mas não a primeira que citamos, com um losango de um volante, dois alas e um segundo volante.

Com a alteração, a Samp conseguiu mais três gols na etapa complementar do jogo, com Semioli dando, inclusive, uma assistência. Mas, como citei e volto a citar, com dois jogadores a mais. Espero que Atzori volte a utilizar o 3-5-2 nos próximos jogos, para que o time não perca mais pontos “bestas” como foi contra o Padova.

2 respostas para Análise tática do esquema de Atzori

  1. Matheus disse:

    Belo post, concordo com praticamente tudo, só alguns nomes de minha preferência que eu discordo, como por exemplo o Piovaccari, ele precisa jogar, conhece todos os caminhos da B, conhece os adversários e foi artilheiro, acho que esse Bentivoglio tem tudo pra virar o melhor meia do campeonato.

    • Valeu pelo comentário, Matheus. Piovaccari realmente merece mais espaço, mas eu não o colocaria disputando posição com o Bertani, que, pra mim, é intocável. Eu não me importaria em colocá-lo no lugar de Pozzi vez ou outra. Sobre Bentivoglio, eu ainda penso que Foggia é mais jogador, pelo que lembro dele no Cagliari. O que não impede os dois de poderem jogar juntos, em um time com dois meias de criação (um 4-4-2 ou 4-3-3). Problema é Atzori enxergar essa possibilidade.

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